Salisbury FC

Salisbury Embarca para o Kuwait em Aposta Comercial Inédita

Salisbury Embarca para o Kuwait em Aposta Comercial Inédita

Como acontece em todo jogo em casa, jogadores e comissão técnica do Salisbury FC foram até o setor Andrews Terrace, no estádio The Ray Mac, para agradecer a torcida após a vitória por 2 a 0 sobre o Folkestone Invicta, pela National League South, a sexta divisão do futebol inglês. Mas, além dos aplausos costumeiros, os atletas ouviram um cântico fora do repertório habitual: "Kuwait away ole, ole". Em menos de 24 horas, o elenco embarcaria rumo ao Oriente Médio.

A viagem de cinco dias inclui um confronto amistoso nesta quarta-feira contra o Al Qadsia, um dos clubes mais vitoriosos do Kuwait, com mais de 50 títulos conquistados ao longo de sua história. Antes do retorno à Inglaterra na quinta-feira, o elenco ainda terá pouco tempo de recuperação para a terceira rodada de qualificação da FA Cup, no sábado, contra o Dulwich Hamlet. Enquanto o clube inglês expande sua presença internacional, o interesse por competições e mercados alternativos também tem crescido em outras frentes do entretenimento esportivo, incluindo o universo das apostas esports, que atrai cada vez mais atenção do público árabe e global. apostas esports

"De cara, todos nós dissemos: 'sim, estamos dentro'", contou o jogador Luke Russe. "É uma oportunidade única e, como jogadores, somos muito gratos a todos os envolvidos em viabilizar essa viagem. Estou nesse nível há muito tempo e nunca vivi uma experiência assim."

Uma ligação construída com propósito

A viagem faz parte da relação contínua do clube com o Kuwait, estabelecida desde que o empresário Ali Alhamad comprou o Salisbury em 2025. O Mohammad Al-Hamad Stadium, onde o time inglês atuará, tem capacidade para 22 mil espectadores - mais de cinco vezes a capacidade do Ray Mac. Para Russe, o resultado esportivo é secundário: "Adoraríamos vencer o jogo, mas acho que é mais sobre a experiência e sobre o clube como um todo, viver aquele estilo de vida e vivenciar o futebol por lá. Temos um grupo muito jovem, então essa vivência cultural é fantástica para todos."

Durante a estadia, os jogadores visitarão restaurantes e escolas locais, participarão de sessões de perguntas e respostas com a comunidade e vão experimentar a gastronomia típica do país. Segundo Russe, a iniciativa "ajuda os próprios jogadores a abrir horizontes para outras culturas, países e estilos de futebol".

Um clube inglês com sotaque árabe

O interesse do Kuwait pelo Salisbury é visível fora de campo. Quatro patrocinadores do clube são kuwaitianos, incluindo a marca estampada na frente da camisa - ligada ao primeiro banco digital em conformidade com a lei Sharia no país - e o uniforme de treino, patrocinado por uma marca popular de açaí vendida exclusivamente no Kuwait. Nas redes sociais, o perfil oficial em árabe do clube já reúne mais de 14 mil seguidores, número próximo ao da conta oficial em inglês.

"Eu diria até que o Salisbury no Kuwait é maior do que muitos times da Premier League no Reino Unido", afirmou Alhamad. "Não estou exagerando ao dizer que é um nome enorme aqui, mas o mais importante não é o tamanho, e sim o quanto estamos contribuindo para a comunidade local e para o futuro do futebol kuwaitiano." Segundo o dirigente, todo o elenco - com exceção de Jaiden Bartolo, convocado para compromissos internacionais - aceitou a viagem em menos de uma hora.

Crescimento financeiro e identidade preservada

Alhamad também enxerga a viagem como estratégia de expansão financeira, com toda a receita de bilheteria e publicidade revertida ao Salisbury. O clube já mantém um projeto de escolinha de férias no Kuwait e realizou uma sessão de testes na pré-temporada, na qual os três melhores jovens treinaram com o time principal.

"É bem simples: se você faz o que todo mundo faz, obtém os mesmos resultados que todo mundo", disse o dirigente. "O futebol na Inglaterra, especialmente no non-league, é um negócio brutal. Jogar dinheiro no clube só para buscar acesso é uma ilusão. O caminho certo é construir com solidez desde a base - e se limitar a um único mercado, a cidade onde o clube está, é bastante restritivo." Para Alhamad, o Golfo e o mundo árabe representam "um mercado enorme e ainda inexplorado, sedento por futebol inglês", inclusive como forma de mostrar que o nível técnico do non-league é subestimado fora do Reino Unido.

Apesar da ambição internacional, o dirigente reforça que a base do projeto continua sendo local. "Aprendi a amar a cidade de Salisbury e as regiões ao redor. É um lugar incrível de se estar. E é nisso que realmente estou focado - não apenas nesta viagem ao Kuwait, mas no coração do nosso projeto, que é nossa torcida, nossa comunidade, que é Salisbury." O teste imediato dessa fidelidade virá já no sábado, direto do avião para o gramado, na FA Cup.