Representatividade Feminina na Política Brasileira Segue Distante da Realidade do Eleitorado
Neste domingo, 4, as mulheres serão 52,81% do eleitorado brasileiro apto a votar no primeiro turno: 83,8 milhões de eleitoras contra 74,8 milhões de homens, segundo o TSE. A maioria feminina nas urnas não é novidade - vem desde o início dos anos 2000 -, mas a presença delas nos espaços de poder continua pequena, revelando um descompasso estrutural entre quem vota e quem governa.
Hoje, mulheres ocupam 17% das cadeiras da Câmara dos Deputados, 19% do Senado, 8% dos governos estaduais e 13% das prefeituras. Os números colocam o Brasil na 138ª posição do ranking mundial de mulheres no Parlamento, abaixo da média global (27,3%) e da latino-americana (35,7%), segundo a IPU (União Interparlamentar). "Existe uma diferença muito grande entre a realidade do Brasil e a forma como a política a espelha. Na verdade, eu diria que não espelha", avalia André Eppinghaus, do Manifesto Confia Nelas. mayan tomb
Apoio da sociedade contrasta com prática eleitoral
Pesquisas mostram apoio expressivo à presença feminina no poder: 71% dos entrevistados acham necessário ter mais mulheres na política, 50% acreditam que o país seria melhor com mais mulheres em cargos decisórios e apenas 3% veem isso como retrocesso. Ainda assim, 55% associam maior presença feminina à redução da corrupção e 58% reconhecem nelas melhores ideias para os problemas do país - sinais de que o discurso público já reconhece a lacuna, mesmo sem traduzi-la em votos.
Machismo e desconfiança explicam parte do abismo
Para 34% dos entrevistados, o principal motivo da sub-representação é o machismo e o preconceito no momento do voto. Outros 35% admitem estranhamento ou desconfiança ao ver uma mulher como prefeita, deputada ou senadora. A resistência aparece antes mesmo da votação, na composição das candidaturas: mulheres são 35,1% dos candidatos em 2026, proporção que cai para 17,4% nas disputas a governador e 21,9% ao Senado - cargos majoritários sem cota de gênero, diferente do que ocorre nas disputas proporcionais, como as de deputado.
Candidaturas presidenciais seguem marginais
Para presidente, apenas duas mulheres concorrem - Clariana Barão (DC) e Samara Martins (UP) -, e nenhuma delas foi convidada aos principais debates eleitorais, em razão da baixa representatividade partidária. O cenário ajuda a explicar por que só 23% das eleitoras dizem se sentir representadas pelos políticos atuais. Ainda assim, 51% defendem mudanças rápidas, não graduais, para ampliar o espaço feminino na sociedade - um recado direto às urnas deste domingo.